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Especialista Responde: Existe crise no mercado imobiliário?

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Especialista Responde: Existe crise no mercado imobiliário?
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Naturalmente quando um país atravessa uma crise financeira todas as áreas são afetadas e com o mercado imobiliário não é diferente.

É um setor, aliás, mais sensível as instabilidades econômicas, porque é um dos primeiros a ser afetado, já que a movimentação de caixa depende de grande volume de finanças por parte da clientela por tratar de bens duráveis que valem, muitas vezes, os recursos de uma vida.

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Portanto é compreensível que os investidores pensem duas, três vezes antes de tomar essa grande decisão em tempo de crise e decidam por adiar mais um pouco.

Efeito cascata que acaba esfriando o mercado imobiliário e deixando muitos lançamentos encalhados e sofrendo desvalorização de preços, o que prejudica o segmento como um todo.

A crise em números

Um bom demonstrativo do estrago da crise no mercado imobiliário é se apegar aos números referentes ao setor no momento de alta, de 2010 a 2014, e no período agudo da crise, 2015-2016.

Em reportagem publicada pela revista Época, o professor da Escola de Economia de São Paulo (FGV/EESP), Alberto Ajzental, baseando-se em dados do Secovi-SP, divulgou estudo que demonstrava que o valor dos imóveis residenciais postos a venda em período que compreendia 12 meses, encerrados em julho de 2016, foi de R$ 12,615 bilhões.

Ao conferir esse índice de preços no boom da economia e do mercado imobiliário, 2010, a constatação da queda é acachapante: o valor geral de venda (VGV) era de R$ 30,17 bilhões.

Mas apesar desse abalo sofrido pelo mercado imobiliário, há motivos para se acreditar que o pior já passou e que não é insensato deixar-se dominar pelo otimismo, apesar de que é sempre prudente agir sob cautela diante de um momento tão turbulento de nossa história e de um panorama político tão instável. O que hoje parece uma certeza, de repente, com o advento de um fato novo, tudo pode mudar.

Analisando o cenário de momento, a projeção é de crescimento e consolidação no mercado imobiliário brasileiro.

Vejamos por que.

Sinais de reação

Novamente, os números relacionados ao mercado imobiliário servem como termômetro para avaliar o estado clínico do setor, assim como tantos outros, vítima de um terrível mal; se apresenta melhora ou agravamento irreversível.

Felizmente os medidores apontaram sinais de reação no ano passado.

Em comparação com 2016, o volume de imóveis vendidos no mercado imobiliário brasileiro teve alta de 9,4 %, totalizando 94.221 unidades comercializadas no ano passado, segundo estudo promovido pela Câmara Brasileira da Construção (CBIC).

O CBIC também detalhou que o total de vendas subiu 9,4% em relação ao ano anterior e o número de lançamentos avançou 5,2%.

Outro levantamento, esse realizado pelo Secovi-SP, corrobora a melhora do quadro do mercado imobiliário ao divulgar que 18.6 mil imóveis foram comercializados na capital paulista no período de janeiro a novembro de 2017, representando alta de 33%  em comparação a esse mesmo período em 2016.

2018: o a da consolidação

O mercado imobiliário tem tudo para confirmar a retomada do crescimento e expandir se não houver grandes turbulências que façam as bolsas do mundo inteiro ou do país despencarem novamente.

Há uma conjunção de fatores que demonstram que o momento é favorável para concretizar a tendência manifestada por Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, em reportagem no início do ano ao jornal Valor econômico:

“Os lançamentos e vendas terão crescimento de 10% [em 2018]. Já sentimos a reação de alguns mercados”.

Taxa de juros

A queda da taxa de juros para 6,75% e a projeção da manutenção desse número até, pelo menos, o fim do ano é uma ótima notícia ao mercado imobiliário, porque juros menores significam facilidades para concessão de crédito imobiliário, grande impulsionador de altos investimentos e incentiva os correntistas a voltarem a aplicar fundos na caderneta de poupança, que volta a ser atrativa.

Inflação

Outra boa notícia ao mercado imobiliário é o controle e queda da inflação que atualmente se encontra em 3,63%.

Inflação baixa é sinônimo de aumento do poder de compra, o Real passa a valer mais, o que sem dúvida é um excelente incentivador para sair no mercado atrás do sonho de compra. Construtoras aproveitam o bom momento para fazer novos lançamentos impulsionando ainda mais a cadeia produtiva.

Minha Casa Minha Vida

Para completar o pacote de bondades ao mercado imobiliário, o governo promoveu alterações no popular programa de financiamento habitacional. Agora o programa é válido para cidades com população inferior a 50 mil habitantes e a renda mínima para poder se beneficiar do recurso foi ampliado. Passou de R$ 6,5 mil para R$ 9,5 mil.

Conclusão

O mercado imobiliário, como todos os setores, sofreu e ainda sofre consequências da crise, mas apresenta sinais de visível melhora e projeção de crescimento animador graças a queda da taxa de juros, o controle da inflação e mudanças nas regras do Minha Casa Minha Vida.

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